A Ciência dos Restos
- Newton Martins Nazareth

- 17 de abr.
- 1 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
17.04.2026 | Cadernos de Crítica Literária
A leitura de A Ciência dos Restos (Ed. APALA RJ, 2026), de Frederico Amitrano, se organiza, a partir de Jacques Lacan, como escuta analítica de fragmentos da fala do analisante.
A obra delimita seu objeto com precisão: a psicanálise não se ocupa do todo, mas do que escapa entre um elo e outro da cadeia psíquica, e que retorna como falha, descontinuidade ou excesso.
O leitor é convidado a sustentar uma posição de escuta — e, nesse movimento, algo de suas próprias experiências pode emergir. A obra, assim, não apenas tematiza os restos, mas os produz como efeito de leitura.
Ao final, permanece aquilo que não se fecha, não se resolve — apenas ressoa. Não por acaso, a obra recorre a fragmentos musicais como parte de sua própria matéria, fazendo deles também restos que insistem no texto. Nesse sentido, ecoa, como os versos de Vinícius de Moraes musicados por Baden Powell: “Eu sem você não tenho porquê… sem você, meu amor, eu não sou ninguém.”

Frederico Amitrano é membro da Academia Pan-americana de Letras e Artes do Rio de Janeiro – APALA RJ. A Ciência dos Restos: de que se ocupa a Psicanálise é o lançamento editorial inaugural da editora APALA RJ.
Cadernos de Crítica Literária é uma série de ensaios de Newton Nazareth, presidente da APALA RJ, escritor, palestrante, compositor, pianista e arquiteto.



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