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O trabalho do Escritor



O escritor trabalha como quem lavra um campo invisível: semeia palavras, revolve silêncios, espera colheitas incertas. Seu ofício é tão antigo quanto a necessidade humana de narrar, mas permanece à margem do reconhecimento profissional.


No Dia do Trabalho, essa condição paradoxal se evidencia. Escrever exige disciplina, técnica, permanência — atributos de qualquer atividade. Há esforço, há tempo investido, há produção concreta. Mas faltam, muitas vezes, as garantias que definem uma profissão: remuneração, direitos, regulamentação, previsibilidade.


Há vantagens nessa liberdade: autonomia criativa, ausência de amarras, possibilidade de invenção contínua. Mas o custo é alto: precariedade, invisibilidade e a constante necessidade de justificar a própria atividade como trabalho legítimo.


O escritor permanece este agricultor de incertezas. No primeiro de maio, seu gesto também merece ser reconhecido — um trabalho paciente, insistente e essencial.


Newton Nazareth é escritor, crítico literário, compositor, pianista, arquiteto e presidente da

Academia Pan-americana de Letras e Artes do Rio de Janeiro - APALA RJ.

 
 
 

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