Arqueologia das palavras: a chave de Wagner Azevedo
- Newton Martins Nazareth

- 27 de abr.
- 2 min de leitura
27.04.2026 | Cadernos de Crítica Literária
O novo trabalho do dicionarista Wagner Azevedo, Grande Dicionário Brasileiro de Epônimos (Ed. Moan, 2025) funciona como uma chave. Não abre portas evidentes, nem conduz a um único espaço: destrava, antes, os bastidores da própria linguagem, onde as palavras, mais do que signos imediatos, revelam as suas origens.
Percorrê-lo é entrar nesse mecanismo. Cada vocábulo guarda uma história condensada. Alguns são familiares; outros, técnicos, quase raros. Inicialmente, o conjunto revela um subsolo da língua, feito de cruzamentos entre ciência, literatura e cultura.
O rigor técnico é evidente desde as primeiras páginas, mas o efeito mais interessante é outro: o de transformar um instrumento de consulta em uma espécie de arqueologia verbal. Não se trata apenas de saber o que uma palavra significa, mas de perceber o caminho que ela percorreu até se tornar comum.
Em dado momento, o leitor, já absorto pelo caminhar, se depara com o vasto palácio que a Língua Portuguesa erigiu, com seus salões, corredores e alcovas. Cabe agora decidir por qual porta continuar a jornada — e até onde ir.
Ao autor, coube o gesto inicial: entregar-nos a chave.

Wagner Azevedo é dicionarista e pesquisador da Língua Portuguesa, autor de obras voltadas ao estudo lexical, etimológico e cultural do idioma, com ênfase na relação entre linguagem, história e literatura. Pioneiro na série de Dicionários de Figuras de Linguagem voltada para os compositores da MPB. Membro da Academia Pan-americana de Letras e Artes do Rio de Janeiro - APALA RJ, à Cadeira n.º 59, patroneada por João Guimarães Rosa.
Cadernos de Crítica Literária é uma série de resenhas de Newton Nazareth, crítico literário, palestrante, escritor, compositor, pianista, arquiteto e presidente da APALA RJ.



Agradeço ao Presidente da APALA-RJ, Newton Nazareth, pela leitura e sinceras palavras sobre o meu Grande Dicionário Brasileiro de Epônimos (Ed. Moan - 2025). Esta obra é uma das minhas 32 publicadas e cada resenha torna-se um documento importante e histórico na minha carreira de dicionarista. Sinto-me honrado por ser membro da APALA-RJ e ter meu trabalho também reconhecido por esta Academia! Obrigado sempre e continuemos na caminhada!